" Por gentileza senhor (a), por acaso viu a alegria passar por aqui?".
Eu observava um ambiente. Sentí a falta de alguém. Procurei, procurei e nada. Sai caminhando pelas ruas á procura dela. Perguntei a um e a outro se haviam visto a alegria por aí. Um respondeu que havia se esbarrado com ela em um Shopping da cidade; outro, que a encontraria mais tarde na mesa de um bar; outro ainda que nem sabia do que eu estava falando...Verifiquei que aquela a quem se referiam não era a mesma que eu procurava. Eram elas essencialmente diferentes. Esta que diziam ter visto por aí, parecia estar sempre em franca e frenética correria. Todos a viam de passagem, mas não a conseguiam contatar. Ela caminhava de forma fugaz, mal aparecia, logo sumia. Ia de um ponto ao outro buscando adquirir algo que ainda não tinha: um produto lançado em uma campnha publicitária...a promessa de um destino promissor nas cartas de um baralho de tarôt...a gargalhada estriônica promovida por uma fofoca lançada aos quatro ventos... NÃO, não era essa quem eu procurava, apesar de ter o mesmo nome. Esta a quem eu buscava tinha a fisionomia serena, os olhos voltados para dentro de sí, o sorriso como expressão do ânimo que sentia. Me recordei então de como a conhecí...foi em um dia de garoa muito fina...eu podia acompanhar o vai-e-vem dos pedestres com os seus milhões de guarda-chuvas coloridos no asfalto...ah, era lindo de se ver...Eu aguardava a condução. Eu estava vestida para ir para o trabalho. Um ônibus parou no ponto onde eu estava, um passageiro debruçou o seu corpo na janela e lançou um envelopinho em mim. Olhei para a minha roupinha nova e a ví repleta de mostarda...não pude deixar de rir... em um outro dia flagrei a alegria cantando...estava tão feliz...dançava e rodopiava sem parar... em um outro dia ainda apareceu depois de uma grande dificuldade...havia conseguido o resultado que esperava, depois de tanto esforço que realizou... e tantos outros dias se sucederam a estes e...compreendí que a alegria não se encontra fora, mas sim dentro de nós...que não faz barulho nem alarde, emerge e quer se expandir na vida dos demais...que a alegria é encontrada no tempo Presente e não no tempo do "Quando" ou do "Se"...que ela habita todas as ordens da nossa vida, está em tudo quanto existe...que devo perguntar não aos demais, mas para mim mesma: " Por gentileza senhor (a), por acaso viu a alegria passar por aqui? ".



